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EES: por que a Europa parou de carimbar o passaporte
Desde abril de 2026, a fronteira europeia registra rosto e digitais no lugar do carimbo. Veja como funciona o EES e o que muda para o brasileiro.
Quem voltou da Europa nos últimos meses talvez tenha notado uma página a menos preenchida no passaporte. Desde 10 de abril de 2026, o carimbo de entrada e saída foi substituído por um registro digital. É o EES, sigla em inglês para Sistema de Entrada e Saída, que guarda o rosto, as impressões digitais e as datas de cada passagem pela fronteira de quem não é cidadão europeu.
O brasileiro continua entrando sem visto e com as mesmas regras de antes. O que muda é a forma de controle. Na primeira passagem pelo sistema, a fronteira colhe as digitais e tira uma foto do rosto; a partir daí, é o computador que conta os seus dias na Europa.
O que o EES guarda
Para quem não precisa de visto, como o brasileiro, o sistema registra quatro impressões digitais e uma foto do rosto, além dos dados do passaporte e da data e do local de cada entrada e saída. Crianças com menos de 12 anos não têm as digitais coletadas. Quem precisa de visto já deixou as digitais no pedido, e o EES guarda só a foto.
O registro não é opcional. Segundo a Comissão Europeia, quem se recusa a fornecer as digitais ou a foto tem a entrada negada.
Quem pode ver esses dados está definido nas regras europeias: as autoridades de fronteira, de vistos e de imigração dos países que usam o sistema e, para investigações, as polícias nacionais e a Europol. Na fronteira, o viajante recebe informação por escrito sobre o sistema e sobre seus direitos em relação aos dados.
O sistema também anota recusas de entrada e quem fica além do prazo permitido. Da estreia gradual, em outubro de 2025, até o início da operação completa, foram registradas mais de 52 milhões de entradas e saídas e mais de 27 mil recusas.
Os números de 2026
O sistema cresceu rápido depois da operação completa. Segundo a Comissão Europeia, em maio de 2026, depois de seis meses de funcionamento, os países já tinham registrado mais de 66 milhões de entradas e saídas e recusado a entrada de 32 mil pessoas que não tinham direito de entrar. Em 27 de julho, eram mais de 145 milhões de registros. No começo de agosto, mais de 150 milhões.
A Comissão também divulgou um caso que mostra para que serve a biometria. Em fevereiro de 2026, o EES identificou um homem que tentava entrar com uma identidade falsa e revelou três tentativas anteriores de entrada no espaço Schengen, cada uma com um nome diferente. Com o carimbo no passaporte, esse tipo de fraude era muito mais difícil de perceber.
Quem fica de fora do EES
O registro vale para estrangeiros de fora da União Europeia que fazem estadias curtas. Segundo a Comissão Europeia, ficam de fora:
- os cidadãos da União Europeia e de Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça;
- os cidadãos de Andorra, Mônaco, San Marino e do Vaticano;
- estrangeiros com visto de longa duração ou autorização de residência, com exceção dos emitidos por Chipre e Irlanda;
- familiares estrangeiros de cidadãos europeus que tenham cartão ou autorização de residência, como cônjuges, filhos ou pais dependentes.
Quem é isento continua mostrando o passaporte e o visto ou a autorização na fronteira, mas não tem as digitais e a foto coletadas. Um brasileiro que mora legalmente em Portugal, por exemplo, com autorização de residência, não é registrado no EES.
Onde ele vale
O EES funciona na fronteira externa de 29 países europeus: os países do espaço Schengen, incluindo Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Chipre e Irlanda, apesar de serem da União Europeia, continuam carimbando o passaporte à mão. O Reino Unido tem um sistema próprio.
O registro acontece na primeira fronteira externa: se você chega a Lisboa e depois pega um trem para Madri, a passagem é feita em Lisboa, e as viagens dentro do espaço Schengen não geram novo registro.
A regra dos 90 dias fica mais difícil de burlar
A permanência continua a mesma: até 90 dias dentro de qualquer período de 180 dias, somando todos os países que usam o sistema. A diferença é que antes esse cálculo dependia de o policial ler carimbos, às vezes borrados, e fazer a conta. Agora o sistema faz a conta sozinho e identifica quem passou do prazo.
Para o viajante, isso tem um lado bom. A União Europeia oferece uma ferramenta oficial, chamada “Check how long you can stay”, que mostra quantos dias ainda restam. E, em alguns aeroportos, há quiosques de autoatendimento onde você mesmo registra os dados antes de chegar ao guichê, o que tende a diminuir a fila. Para usar os quiosques, o passaporte precisa ter chip; sem ele, a passagem é feita normalmente no guichê.
EES e ETIAS são coisas diferentes
O EES não é uma autorização de viagem e não exige nenhum pedido antes do embarque. Ele só registra quem passa pela fronteira. O ETIAS, a autorização eletrônica que brasileiros vão precisar pedir antes de viajar, é outro sistema, que ainda não começou a funcionar. Quando começar, os dois vão conversar: o EES registra se a pessoa tem um ETIAS válido.
O Reino Unido fica fora dos dois, mas tem a própria exigência: desde janeiro de 2025, o brasileiro precisa de uma ETA para entrar no país.
Na prática
- Separe um tempo a mais na primeira entrada. A coleta de digitais e foto acontece na primeira passagem pelo sistema e pode alongar a fila.
- Não conte com o carimbo para provar datas. Guarde cartões de embarque e reservas, que continuam sendo a sua prova de quando entrou e saiu.
- Use a ferramenta oficial para conferir os dias. Ela fica no site travel-europe.europa.eu, na seção do EES.
- Leve o passaporte com chip se tiver. Ele permite usar os quiosques de autoatendimento onde eles existem.
- Se voltar à Europa, o sistema já vai conhecer você. As próximas passagens tendem a ser mais rápidas.
Perguntas frequentes
A Europa ainda carimba o passaporte?
Nos países que usam o EES, não. Desde 10 de abril de 2026, o carimbo foi substituído pelo registro digital. Chipre e Irlanda continuam carimbando.
Brasileiro precisa fazer algum cadastro antes de viajar por causa do EES?
Não. O EES não exige pedido prévio. O registro das digitais e da foto é feito na fronteira, na primeira entrada.
O EES muda a regra dos 90 dias?
Não. A permanência continua sendo de até 90 dias em qualquer período de 180 dias. O que muda é que o sistema faz a conta automaticamente.
Quem tem autorização de residência na Europa passa pelo EES?
Não. Quem tem visto de longa duração ou autorização de residência fica isento, com exceção dos documentos emitidos por Chipre e Irlanda.
EES e ETIAS são a mesma coisa?
Não. O EES registra as entradas e saídas na fronteira. O ETIAS é uma autorização que será pedida pela internet antes da viagem e ainda não começou a funcionar.
O carimbo não some por completo: em Dublin ou em Nicósia, ele ainda aparece. No resto do continente, a lembrança da viagem fica só na memória e no registro do EES.
Fontes
- What is the EES?, União Europeia: os 29 países, a definição de estadia curta e a exceção de Chipre e Irlanda.
- FAQs about EES, União Europeia: dados biométricos, crianças com menos de 12 anos, quiosques e passaporte com chip.
- Data held by the EES, União Europeia: dados coletados, quem pode acessá-los, informação ao viajante, recusa em fornecer biometria e ligação com o ETIAS.
- Entry/Exit System (EES) is fully operational, Comissão Europeia, 10 de abril de 2026: início da operação completa e números de registros e recusas.
- Commission report shows Schengen area continues to be resilient, Comissão Europeia, 18 de maio de 2026: os 66 milhões de registros e as 32 mil recusas nos seis primeiros meses.
- The Entry Exit System is fully operational since 10 April 2026. Who is exempt?, Comissão Europeia, 27 de julho de 2026: os 145 milhões de registros e a lista de isentos.
- EES prevents people with fake identities from entering the EU, Comissão Europeia, 6 de agosto de 2026: os 150 milhões de registros e o caso da identidade falsa.