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Taxa para entrar em Veneza: o que vale agora

Veneza cobrou de 5 a 10 euros de quem ia passar o dia na cidade até julho de 2026. Veja como funcionou, o que vale hoje e o que está previsto para 2027.

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Pessoas atravessando uma ponte sobre um canal em Veneza, num dia claro
Foto de Levi van Leeuwen no Unsplash

Se você vai a Veneza nos próximos meses, pode entrar sem pagar nada. A taxa de acesso, que a cidade cobrou em dias escolhidos de abril a julho, deixou de valer em 27 de julho de 2026, quando terminou o período de teste do ano. O site oficial da prefeitura diz que qualquer cobrança depois disso depende de nova decisão da cidade.

Essa decisão está em discussão, e o valor pode mudar bastante. Em setembro de 2026, o responsável pelas finanças de Veneza disse que os 5 a 10 euros atuais já não afastam ninguém e que a prefeitura quer uma taxa mais alta a partir de 2027. Fala-se em 30 euros.

Por que Veneza cobra para entrar

Veneza recebe cerca de 30 milhões de visitantes por ano, e muitos passam só o dia. Chegam de trem, de ônibus ou de navio de manhã, andam pelo centro histórico e vão embora à tarde, sem dormir na cidade. Para a prefeitura, esse visitante lota as ruas estreitas e as pontes, encarece a vida de quem mora ali e deixa pouco dinheiro no comércio local.

A taxa foi criada para desestimular esse tipo de viagem nos dias mais cheios, e não para cobrar de todo turista. Por isso, quem dorme na cidade sempre ficou isento.

Como funcionou em 2026

O teste começou em 2024 e foi repetido nos dois anos seguintes, com mais dias a cada edição: foram 54 em 2025. Em 2026, a taxa valeu em 60 dias, entre 3 de abril e 26 de julho, sobretudo em fins de semana e feriados prolongados, das 8h30 às 16h.

O visitante reservava o dia numa plataforma on-line e recebia um QR code no celular. O valor era de 5 euros para quem reservava com antecedência e de 10 euros para quem deixava para a última hora. Os códigos eram conferidos nos pontos de chegada, como a estação de trem e os terminais de ônibus, e podia haver fiscalização aleatória no centro, com multa de até 300 euros para quem estivesse sem o comprovante.

Ficavam isentos moradores, hóspedes que dormiam na cidade, quem ia trabalhar ou estudar e quem chegava fora do horário de cobrança.

No primeiro teste, em 2024, foram emitidos 485.062 comprovantes, e a cidade arrecadou 2,4 milhões de euros. Os críticos dizem que a medida não fez o suficiente para afastar os turistas de um dia; a prefeitura defendia que a medida acertava o equilíbrio entre controlar o movimento e não fechar a cidade.

O que pode mudar em 2027

Em entrevista publicada em 21 de setembro de 2026, o assessor de Orçamento e Tributos de Veneza, Michele Zuin, disse que, depois de três anos de teste, a taxa deve ganhar uma estrutura mais estável. Segundo ele, 5 ou 10 euros estão “ao alcance de todos” e não desestimulam a visita. “Chegou-se a falar de 50 euros, mas talvez possam ser 30”, afirmou. A ideia, segundo ele, é que um valor mais alto faça quem já conhece Veneza e pensa em voltar num feriado cheio, como o 1º de maio, escolher outro passeio para aquele dia.

O valor ainda não está definido. Ele precisa ser acertado com o governo italiano e o Parlamento. A prefeitura também estuda ampliar o calendário para março e setembro, um pedido que, segundo Zuin, veio também dos hoteleiros. Mais dias, porém, significam mais gasto: a cobrança exige funcionários nos pontos de chegada, fiscais e a polícia municipal, e esse custo cresce a cada data acrescentada.

A taxa não é a única regra: os grupos guiados

Enquanto discute a taxa, Veneza já mudou as regras para quem visita a cidade em grupo. Desde 1º de agosto de 2024, cada guia de turismo pode levar no máximo 25 pessoas, segundo o jornal Il Sole 24 Ore.

Os alto-falantes, que os guias usavam para falar com grupos grandes nas vielas, foram proibidos. Grupos com mais de 10 pessoas passaram a ser obrigados a usar fones de ouvido com receptor de rádio. E os grupos não podem mais parar em pontes ou rampas de acesso, onde atrapalham quem passa.

No primeiro dia da regra, os fiscais aplicaram três multas a grupos com mais de 25 pessoas. Segundo Simone Venturini, responsável pelo Turismo na prefeitura, o objetivo era melhorar a convivência entre turistas e moradores e diminuir o aperto de gente em certos pontos da cidade.

Para quem viaja por conta própria, nada muda. Para quem vai contratar um passeio guiado, vale saber que os grupos agora são menores e que o guia vai falar pelo fone, não pelo megafone.

Na prática

  • Até nova decisão, não há taxa. Desde 27 de julho de 2026, dá para visitar Veneza sem pagar nem pedir isenção.
  • Antes de uma viagem em 2027, confira o site oficial, cda.ve.it, que publica as datas e os valores quando são aprovados.
  • Dormir na cidade continua sendo a forma de não pagar. Nos testes, hóspedes ficavam isentos.
  • Se a taxa voltar, reserve cedo. Nos testes, quem deixava para a última hora pagava o dobro.
  • Se puder, vá num dia de semana. As datas de cobrança se concentraram em fins de semana e feriados.
  • Em passeio guiado, espere grupos de até 25 pessoas e fone de ouvido para acompanhar o guia.

Perguntas frequentes

Precisa pagar para entrar em Veneza?

Não no momento. A cobrança de 2026 terminou em 27 de julho, e qualquer nova taxa depende de decisão da prefeitura.

Quanto custava a taxa de Veneza?

Em 2026, 5 euros para quem reservava com antecedência e 10 euros para quem deixava para a última hora, em 60 dias escolhidos entre abril e julho.

Quem não pagava a taxa de Veneza?

Moradores, hóspedes que dormiam na cidade, quem ia trabalhar ou estudar e quem chegava fora do horário de cobrança, entre outros casos.

A taxa de Veneza vai aumentar em 2027?

A prefeitura quer um valor mais alto. O responsável pelo orçamento falou em 30 euros, mas o valor ainda não foi definido e depende do governo italiano.

Tem limite de tamanho para grupos em Veneza?

Sim. Desde 1º de agosto de 2024, grupos com guia podem ter no máximo 25 pessoas, e o guia não pode usar alto-falante.

Veneza vive um problema oposto ao de muitas cidadezinhas italianas, que vendem casas por 1 euro para atrair moradores. Uma cobra para receber menos gente; as outras pagam para receber mais.

Fontes