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Por que a Islândia não tem McDonald's desde 2009

A crise de 2008 derrubou a coroa islandesa e dobrou os custos do McDonald's no país. A rede saiu em 2009, e um dos últimos lanches virou atração.

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Pedestres numa rua comercial do centro antigo de Reykjavík, na Islândia
Foto de Ben Grayland no Unsplash

Quem procura um McDonald's na Islândia não encontra. A rede chegou a Reykjavík em 1993 e, em outubro de 2009, anunciou o fechamento dos três restaurantes que tinha no país. Não foi boicote nem lei contra fast-food. Foi conta de padaria: vender hambúrguer tinha ficado caro demais.

A crise que tirou o McDonald's da Islândia

Em outubro de 2008, o sistema bancário islandês quebrou, e a coroa, a moeda local, despencou. Para uma rede que dependia de ingredientes importados, isso foi fatal.

Ögmundsson, dirigente da Lyst, a empresa dona da franquia no país, explicou a decisão em declarações publicadas pela Al Jazeera. Os custos tinham dobrado em um ano, por causa da queda da coroa e das altas tarifas sobre produtos importados. Não havia como subir mais os preços e continuar competindo com restaurantes que usavam produtos locais.

O Big Mac mais caro do mundo

Os números da época mostram o tamanho do problema. Em 2009, um Big Mac custava 650 coroas em Reykjavík, cerca de 5,29 dólares. Para ter um lucro razoável, a franquia precisaria de um aumento de 20%, o que levaria o sanduíche a 780 coroas, ou 6,36 dólares.

Com esse preço, o Big Mac islandês passaria a ser o mais caro do mundo. No índice Big Mac da revista The Economist daquele ano, o título era dividido pela Suíça e pela Noruega, com 5,75 dólares.

A sede do McDonald's, nos Estados Unidos, falou em "complexidade operacional única" de fazer negócios na Islândia e disse que não tinha planos de procurar um novo parceiro no país. A Lyst anunciou que reabriria os restaurantes com outro nome, Metro, usando ingredientes locais e mantendo os 90 funcionários.

O lanche que não apodrece

A saída do McDonald's rendeu uma das atrações mais estranhas da Islândia. Um islandês chamado Hjörtur Smárason comprou um hambúrguer com batatas fritas nos últimos dias de funcionamento da rede, em 2009, e guardou o lanche.

O conjunto passou pelo Museu Nacional da Islândia e depois foi exibido no Bus Hostel, em Reykjavík, onde ganhou até uma webcam transmitindo sua "vida" ao vivo, segundo a NPR. Depois, o lanche foi levado para o Snotra House, um albergue em Þykkvibær, no sul do país. No começo de 2025, o dono do albergue disse ao site de checagem Snopes que o hambúrguer continuava lá e que continuaria no futuro.

A Islândia não é o único país que perdeu o McDonald's

A rede já saiu de vários países, por motivos bem diferentes. Segundo a lista mantida pela Wikipédia, que registra datas de abertura e fechamento, alguns casos se destacam:

  • Bermudas (1985 a 1995). O território britânico aprovou uma lei que proíbe restaurantes de franquia estrangeira. O único McDonald's só funcionava porque ficava dentro de uma base aérea naval americana, fora do alcance da lei. Quando a base fechou, em 1995, o restaurante fechou junto.
  • Bolívia (1997 a 2002). Os restaurantes fecharam por vendas fracas e preços altos. A rede tentou voltar depois, sem sucesso.
  • Jamaica (1995 a 2005). O fechamento veio por problemas com o governo do país e queda nas vendas.
  • Macedônia do Norte (1997 a 2013). A saída foi por uma disputa contratual com o dono da franquia.
  • Rússia (1990 a 2022). O primeiro restaurante, na praça Pushkin, em Moscou, foi também o primeiro da União Soviética. A rede deixou o país em maio de 2022.

No caso islandês, a data exata de fechamento foi 31 de outubro de 2009, depois de 16 anos de funcionamento: a primeira loja tinha aberto em 9 de setembro de 1993.

O fast-food que ficou: o cachorro-quente

Sem McDonald's, o lanche rápido mais famoso de Reykjavík é outro, e bem mais antigo que a rede americana no país. A Bæjarins Beztu Pylsur, cujo nome quer dizer algo como "os melhores cachorros-quentes da cidade", vende cachorro-quente desde 1937. A barraca original fica na rua Tryggvagata, no centro, e a marca hoje tem 13 pontos: 10 na Grande Reykjavík, 2 na península de Reykjanes, no sudoeste, e 1 em Hella, no sul do país.

A barraca ficou famosa no mundo todo por causa de um cliente. Segundo o site da própria empresa, em 2004 o ex-presidente americano Bill Clinton passou em frente à barraca durante uma visita à Islândia. Mæja, da barraca, chamou Clinton pelo nome e ofereceu um cachorro-quente. Clinton estava de dieta e pediu só com mostarda. Desde então, o cachorro-quente só com mostarda ganhou um apelido na casa: "Clinton".

É a ironia da história: o país que perdeu o McDonald's pelo custo dos ingredientes importados tem como fast-food mais conhecido uma barraca local, mais velha que a própria rede americana.

Na prática

  • Não conte com o McDonald's na Islândia. Para comer rápido, o jeito é procurar as lanchonetes locais.
  • Prove o cachorro-quente da Bæjarins Beztu Pylsur. A barraca original fica na Tryggvagata, no centro de Reykjavík.
  • Quer ver o lanche de 2009? Ele estava no Snotra House, em Þykkvibær, no sul da Islândia, no começo de 2025. Confirme com o albergue antes de ir.
  • Vai procurar o índice Big Mac? A revista The Economist usa o preço do sanduíche para comparar o poder de compra das moedas, mas a Islândia não aparece nele desde que a rede saiu.

Perguntas frequentes

Tem McDonald's na Islândia?

Não. A rede fechou seus três restaurantes no país em 2009 e disse, na época, que não tinha planos de procurar um novo parceiro local.

Por que o McDonald's saiu da Islândia?

Depois da crise financeira de 2008, a coroa islandesa desvalorizou e os custos com ingredientes importados dobraram. Subir os preços deixaria o Big Mac islandês o mais caro do mundo.

Qual é o fast-food mais famoso da Islândia?

O cachorro-quente da Bæjarins Beztu Pylsur, vendido em Reykjavík desde 1937. A barraca ficou famosa depois da visita de Bill Clinton, em 2004.

Onde está o último hambúrguer do McDonald's da Islândia?

No Snotra House, um albergue em Þykkvibær, no sul do país. Antes, ele passou pelo Museu Nacional e pelo Bus Hostel, em Reykjavík.

A Islândia tem outras particularidades que surpreendem visitantes, como o fato de nunca mudar o relógio.

Fontes