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Por que o Mar Morto está secando

O Mar Morto baixa mais de um metro por ano e perdeu um terço da área. Veja o que tira a água dele, o que são as crateras e o que muda na visita.

6 min de leitura

Vista do alto das águas azul-turquesa do Mar Morto, com montanhas desérticas ao redor
Foto de Craig Vodnik no Unsplash

O Mar Morto está secando porque perde muito mais água do que recebe. O rio Jordão, que o alimentava, foi desviado ao longo do século 20 para abastecer cidades e plantações em Israel, na Síria e na Jordânia. Ao mesmo tempo, as indústrias de sais minerais nas duas margens bombeiam água do mar para tanques de evaporação. O resultado é um nível que cai mais de um metro por ano.

Não é uma queda recente nem pequena. Desde 1960, o Mar Morto baixou mais de 37 metros e perdeu mais de um terço da superfície, segundo a organização EcoPeace Oriente Médio, que reúne ambientalistas israelenses, jordanianos e palestinos. Em 2025, a superfície estava cerca de 440 metros abaixo do nível do mar, e continua descendo.

Um lago que só vive de entrada

O Mar Morto é um lago no fundo de uma bacia fechada: a água entra, mas não sai para lugar nenhum. Só vai embora por evaporação, e no calor do vale do Jordão ela evapora rápido. Enquanto o Jordão corria cheio, o que chegava pelo rio e pelas nascentes compensava boa parte do que evaporava.

O equilíbrio quebrou quando a entrada diminuiu. A EcoPeace atribui o desvio de água do baixo Jordão e de seus afluentes metade a Israel e metade à Síria e à Jordânia. O Serviço Geológico dos Estados Unidos resume a mesma coisa sem rodeios: numa bacia fechada, a água desviada não é reposta, e o nível segue caindo. Um pesquisador do Centro de Ciência Mar Morto-Arava, ouvido pelo jornal Times of Israel em 2021, estimou o déficit em cerca de um bilhão de metros cúbicos por ano.

A parte que vira sal e potássio

A segunda causa fica no sul. O Mar Morto era dividido em duas bacias, ligadas por um estreito. Com a queda do nível, o estreito secou, e a bacia sul virou, na prática, um conjunto de tanques de evaporação industriais.

Ali operam a Dead Sea Works, do lado israelense, e a Arab Potash Company, do lado jordaniano. As empresas bombeiam água da bacia norte para os tanques, deixam o sol evaporar e recolhem os sais que sobram, como o potássio usado em fertilizantes. Segundo a EcoPeace, essa atividade responde por 30% a 40% da perda de água do Mar Morto.

As crateras que engolem a margem

O efeito mais visível para quem visita não está na água, e sim no chão. Quando o mar recua, deixa camadas de sal enterradas na antiga margem. A água doce das chuvas e das enxurradas dissolve esse sal por baixo, e o terreno cede de uma hora para outra, formando crateras que podem passar de dez metros de profundidade.

Já são milhares delas nas margens de Israel, da Jordânia e da Cisjordânia. Elas engoliram trechos de estrada e estruturas turísticas, e a maior parte das praias com estrutura na margem oeste da bacia norte teve de fechar. O antigo complexo de banhos de Ein Gedi, que ficava na beira da água, hoje está a cerca de três quilômetros do mar, segundo o Times of Israel.

Dá para salvar?

A solução mais discutida foi trazer água do mar Vermelho por uma tubulação de cerca de 180 quilômetros, saindo de Aqaba, na Jordânia. Israel, Jordânia e a Autoridade Palestina assinaram um acordo em 2013, mas o abandono do projeto foi noticiado em junho de 2021. Enquanto isso, os cientistas ouvidos pelo Times of Israel não esperam que o nível volte ao que era: a previsão é de queda por pelo menos mais um século, até que o lago, cada vez menor e mais salgado, encontre um novo equilíbrio.

Na minha leitura, é um dos casos mais claros de como uma decisão sobre água, tomada longe dali, desenha uma paisagem inteira. Ninguém secou o Mar Morto de propósito. Ele foi secando porque todo mundo em volta precisava do rio.

Na prática

  • Confira a situação de segurança antes de ir. Israel, Jordânia e Cisjordânia estão numa região de conflito. Consulte os alertas de viagem do Itamaraty antes de planejar.
  • Respeite as placas e as cercas. As áreas fechadas por risco de cratera não são exagero; o chão cede sem aviso.
  • Tome banho onde há estrutura. Praias com salva-vidas e chuveiros de água doce são mais seguras. A água é tão salgada que arde nos olhos e em qualquer machucado.
  • Espere uma caminhada até a água. Em vários pontos, a margem recuou e o trajeto da estrada até o mar ficou mais longo a cada ano.
  • Não mergulhe a cabeça. Boie de costas; a água salgada faz quase todo o trabalho.

O Mar Morto continua sendo o ponto mais baixo em terra firme do planeta. Só que esse ponto está descendo, ano após ano, e quem visita hoje vê uma margem diferente da que outra pessoa viu dez anos atrás.

Perguntas frequentes

Quanto o Mar Morto baixa por ano?

Mais de um metro por ano, segundo a EcoPeace e o Serviço Geológico dos Estados Unidos, que cita uma medição de 1,2 metro por ano.

Por que o Mar Morto está secando?

Por dois motivos principais: o desvio da água do rio Jordão e de seus afluentes para consumo e irrigação, e a evaporação industrial nas fábricas de sais minerais do sul do lago.

O Mar Morto vai desaparecer?

Os cientistas não esperam que ele suma por completo. A previsão é que continue encolhendo até atingir um equilíbrio, com uma área menor e uma água ainda mais salgada.

O que são as crateras do Mar Morto?

São afundamentos do terreno que se formam quando a água doce dissolve o sal deixado no subsolo pela antiga margem. Já são milhares e tornam algumas áreas perigosas.

Fontes