Máquinas de venda no Japão: por que há uma em cada esquina
O Japão tem mais de 2 milhões de máquinas de bebida, muitas na rua. Veja por que ficam ao ar livre, como vendem bebida quente e gelada e o que mais vendem.
O Japão tem milhões de máquinas de venda automática, e muitas ficam do lado de fora, acesas a noite toda, em esquinas, estações, estradas rurais e no pé de montanhas. A Associação Japonesa de Fabricantes de Sistemas de Venda Automática (JVMA) contou 2.254.400 máquinas de bebida no fim de 2021. O país ocupa o segundo lugar do mundo em número de máquinas, atrás dos Estados Unidos, e o primeiro em máquinas por habitante.
A resposta curta para a pergunta do título: as máquinas ficam na rua porque o país é seguro e porque existe uma rede de empresas que as abastece e mantém. E, para quem viaja, elas servem de bebida a qualquer hora, de lixeira para latas e garrafas e, em alguns lugares, de tomada de emergência.
Quantas máquinas existem
Os números dependem de quem conta. Uma pesquisa da fundação Anshin Life, citada no artigo sobre as lixeiras do Japão, registra cerca de 2,22 milhões de máquinas de bebida e 3,93 milhões de máquinas de todos os tipos no fim de 2023. O instituto de pesquisa Inryo Soken, em outra série, contou 1,95 milhão de máquinas de refrigerante em 2025, 20% abaixo do pico de 2,47 milhões, de 2014.
Ou seja, o número está caindo. Segundo a JVMA, as causas são a concorrência das lojas de conveniência, a falta de mão de obra para reabastecer e a retirada de máquinas que vendem pouco. Ainda assim, o Japão segue como o país onde mais se vê uma máquina por esquina.
Uma história de mais de cem anos
A ideia não é recente. Segundo a Wikipédia, uma patente de “máquina automática de venda de mercadorias” foi pedida no Japão em 1888. As máquinas mais antigas que sobreviveram, de cerca de 1900, vendiam selos, cartões-postais e saquê. Na década de 1920, as máquinas de doces se espalharam, e as de suco ganharam força no fim dos anos 1950 e nos anos 1960.
A expansão em grande escala veio dos Estados Unidos, com a venda de Coca-Cola em máquinas, segundo a JVMA. As fabricantes japonesas criaram empresas operadoras, responsáveis por reabastecer as máquinas e recolher o dinheiro, e foi esse serviço que fez a rede crescer pelo país.
Por que ficam na rua
Em muitos países, as máquinas migraram para dentro de prédios por causa de vandalismo e de furto. No Japão, segundo a JVMA, elas continuaram do lado de fora, o que a associação atribui à segurança e à ordem do país. A rede de operadoras faz o resto: as máquinas são abastecidas e consertadas com regularidade, e raramente quebram.
Há ainda o fato de que o dinheiro entra fácil. As máquinas aceitam várias moedas, cédulas e cartões de transporte (IC cards) e raramente recusam dinheiro. Em 2024, a JVMA preparava as máquinas para as novas cédulas de iene emitidas naquele ano.
Quente e gelado na mesma máquina
Um detalhe que o turista nota logo: uma única máquina vende bebida gelada e bebida quente. Segundo a JVMA, isso vem das quatro estações bem marcadas, porque no inverno ninguém compraria bebida gelada na rua. O truque técnico é uma bomba de calor, que reaproveita o calor do sistema de refrigeração para esquentar as bebidas e gasta pouca energia.
A eficiência também melhorou: o consumo de eletricidade por máquina de bebida caiu cerca de 70% nos 20 anos a partir de 1991, segundo a JVMA.
O que dá para comprar
A maior parte é bebida: chá verde, café em lata, água, isotônicos e sucos. Mas a lista é bem maior. Segundo a JVMA e a Wikipédia, há máquinas com:
- Comida congelada, mantida a menos 25 graus. A máquina para de vender se a temperatura ficar acima de menos 15 graus por 90 minutos.
- Chapéus, guarda-chuvas, flores e até kits de aliança de casamento.
- Bolos e algodão-doce em Shibuya, salada fresca, suco de laranja espremido na hora e curries regionais no aeroporto de Haneda.
- Cigarros, que exigem o cartão Taspo, usado desde 1º de julho de 2008 para checar a idade. O cartão só é emitido para maiores de 20 anos.
O texto da IHCSA cita ainda, em maio de 2022, um teste com uma máquina de remédios em que um farmacêutico autoriza a venda por vídeo.
Máquinas que ajudam em emergências
Algumas máquinas têm funções além da venda. Segundo a JVMA, existem modelos que liberam água potável de graça depois de um desastre e outros com geradores próprios. Algumas têm câmeras de segurança e placas com o endereço, o que ajuda a localizar o ponto exato em uma chamada de emergência.
Na prática
- Leve moedas e um cartão de transporte (IC card). Segundo a JVMA, as máquinas aceitam moedas, cédulas e esses cartões.
- Confira se a bebida é quente ou gelada antes de apertar o botão: uma única máquina vende as duas.
- Use o recipiente ao lado da máquina só para latas e garrafas, como explica o artigo sobre as lixeiras do Japão.
Para o resto da viagem, vale ler sobre por que a gorjeta pode constranger quem recebe e sobre por que quase nenhuma rua japonesa tem nome.
Perguntas frequentes
Quantas máquinas de venda há no Japão?
Cerca de 2,2 milhões de máquinas de bebida e 3,9 milhões de máquinas de todos os tipos, segundo as contagens do fim de 2023. O número vem caindo desde o pico.
Por que as máquinas de venda ficam na rua no Japão?
Segundo a JVMA, porque o país é seguro e porque as empresas operadoras abastecem e mantêm as máquinas com regularidade.
As máquinas vendem bebida quente?
Sim. Uma só máquina vende bebida quente e gelada, com uma bomba de calor que reaproveita o calor da refrigeração.
Dá para pagar com cartão?
Muitas máquinas aceitam cartões de transporte (IC cards), além de moedas e cédulas.
Fontes
- Japan, A Vending-Machine Paradise, IHCSA, com dados da JVMA: a contagem de 2021, a posição do Japão, o motivo das máquinas ao ar livre, a bomba de calor, a queda do consumo de energia, as máquinas congeladas, as de emergência e os itens incomuns.
- Vending machines in Japan, Wikipédia: a patente de 1888, as décadas de expansão e o cartão Taspo.
- 日本における自販機の数, Anshin Life, janeiro de 2025 (em japonês): a contagem do fim de 2023, citada no artigo sobre as lixeiras do Japão.
- Soft drink vending machines in Japan fall below 2 mn for first time, Qatar Tribune: a contagem do Inryo Soken para 2025.