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Por que agora se paga para subir o Monte Fuji
Subir o Monte Fuji custa ¥4.000 e tem horário para começar. Entenda por que o Japão passou a cobrar e limitar a subida, e como se preparar.
Na foto acima, a linha de pontos de luz que sobe a encosta do Monte Fuji não é uma estrada. São lanternas de pessoas escalando a montanha no meio da noite para ver o nascer do sol lá de cima. É justamente esse tipo de subida que o Japão resolveu controlar. Desde 2025, quem sobe o Fuji por qualquer uma das quatro trilhas oficiais paga ¥4.000 e precisa se registrar antes. Pelas regras de 2026, das 14h às 3h só pode entrar na montanha quem tem reserva numa das cabanas do caminho.
A taxa serve, em parte, para conter a superlotação, que numa montanha de 3.776 metros é também uma questão de segurança.
De graça a ¥4.000 em dois anos
A primeira a cobrar foi a trilha Yoshida, do lado da província de Yamanashi, a mais usada. Em 2024, ela passou a custar ¥2.000 e ganhou um portão que fecha quando o movimento passa de 4.000 pessoas no dia. As três trilhas do lado de Shizuoka (Fujinomiya, Subashiri e Gotemba) continuaram gratuitas naquele ano. Em 2025, todas passaram a cobrar ¥4.000 e a exigir registro prévio. Em 2026, as regras se mantiveram. Quem quiser pode ainda deixar uma doação opcional de ¥1.000 para a conservação da montanha, que rende uma plaquinha de madeira de lembrança.
O limite foi calibrado pelo movimento real. Em 2023, antes das regras, a trilha Yoshida recebeu 137.236 escaladores entre 1º de julho e 10 de setembro, uma média de 1.906 por dia, com pico de 3.974 em 16 de julho, quase exatamente o teto adotado no ano seguinte. O número também tem uma origem técnica. Quando o Fuji virou patrimônio mundial, o Icomos, conselho que assessora a Unesco, pediu um plano de gestão de visitantes. Segundo esse plano, acima de 4.000 pessoas por dia a trilha perto do cume fica lotada de madrugada, e aumenta o risco de os escaladores esbarrarem nos bastões e mochilas uns dos outros e caírem.
Quantas pessoas sobem o Fuji
O Ministério do Meio Ambiente do Japão conta os escaladores com sensores infravermelhos instalados na oitava estação de cada uma das quatro trilhas. No verão de 2025, do início da temporada até 10 de setembro, foram cerca de 205 mil pessoas, praticamente o mesmo número de 2024, que teve uns 204 mil. Ou seja: a taxa dobrada de 2025 não esvaziou a montanha, e o movimento ficou estável de um ano para o outro.
O problema das subidas noturnas
Muita gente tenta subir de uma vez, à noite, sem parar para dormir numa cabana, para chegar ao topo no nascer do sol e descer em seguida. O site de turismo Kawaguchiko.net, da região da trilha Yoshida, aponta essas pessoas, que sobem sem o descanso adequado, entre as que causam problemas para os outros escaladores.
O risco é real. O site oficial de escalada lembra que, do início das trilhas ao cume, o desnível passa de mil metros, e que a temperatura cai cerca de 0,6 °C a cada 100 metros de subida. O vento piora a sensação: cada metro por segundo tira mais ou menos 1 °C da temperatura sentida. Mesmo no verão, o cume pode chegar perto de 0 °C antes do nascer do sol, e quanto mais tempo se espera parado, maior o risco de hipotermia. A restrição de horário ataca exatamente isso: quem não tem cabana reservada precisa começar a subir de dia.
Uma temporada curta
O Fuji só abre para escalada no verão, do começo de julho ao começo de setembro. A temporada de 2026 terminou em 10 de setembro. Fora desse período, os postos de socorro e as cabanas ficam fechados, o sinal de celular falha e o tempo pode virar rápido. O site oficial desaconselha a subida nesse período.
Não é só a montanha: a tela da Lawson
A superlotação em torno do Fuji não acontece só nas trilhas. Em maio de 2024, a cidade de Fujikawaguchiko, em Yamanashi, instalou uma tela preta de 20 metros de comprimento e 2,5 metros de altura numa calçada, para esconder a vista da montanha.
O motivo era uma foto famosa nas redes sociais: de um certo ângulo, em frente a uma loja de conveniência Lawson, o Fuji parece estar pousado em cima do telhado da loja. Turistas lotavam a calçada e atravessavam a rua no meio do trânsito para conseguir o clique. Os moradores e os comerciantes da região se cansaram.
A tela não resolveu tudo. Visitantes fizeram furos no tecido para fotografar a montanha. Em agosto de 2024, a estrutura foi retirada como precaução antes de um tufão e, segundo a Euronews, as autoridades decidiram deixá-la desmontada, com o aviso de que ela poderia voltar se a multidão voltasse. Um funcionário da cidade disse que já não se viam tantas pessoas correndo para o meio da rua.
Em agosto de 2025, uma nova barreira foi instalada, bem mais discreta: um toldo marrom de cerca de 1,4 metro de altura, que deixa ver a montanha, mas mantém as pessoas fora da pista, segundo a Time Out Tóquio.
Na prática
- Pague e registre-se antes, no site oficial. O registro não é reserva de cabana; as duas coisas são separadas.
- Se quiser ver o nascer do sol lá de cima, reserve uma cabana. Sem reserva, a entrada é proibida entre 14h e 3h.
- Leve roupa de inverno, mesmo em agosto. Botas de cano alto, capa de chuva de duas peças, casaco, luvas e lanterna de cabeça estão na lista obrigatória do site oficial, e o equipamento pode ser conferido antes da subida.
- Leve dinheiro em espécie e moedas de ¥100. As cabanas e os banheiros da trilha cobram em dinheiro.
- Traga o lixo de volta. O saco para o próprio lixo também está na lista oficial, algo que não surpreende quem já sabe por que o Japão quase não tem lixeira na rua.
- Confira as datas antes de planejar. As datas oficiais de cada temporada são anunciadas antes do início.
Perguntas frequentes
Quanto custa subir o Monte Fuji?
¥4.000 por pessoa, em qualquer uma das quatro trilhas oficiais, com registro prévio. Há ainda uma doação opcional de ¥1.000 para a conservação da montanha.
Precisa reservar para subir o Monte Fuji?
É preciso fazer o registro e pagar a taxa antes. Para subir entre 14h e 3h, também é obrigatório ter reserva numa das cabanas do caminho.
Quando dá para subir o Monte Fuji?
Só no verão, do começo de julho ao começo de setembro. Fora da temporada, as cabanas e os postos de socorro ficam fechados, e o site oficial desaconselha a subida.
Quantas pessoas sobem o Monte Fuji por ano?
Cerca de 205 mil no verão de 2025, segundo a contagem do Ministério do Meio Ambiente do Japão.
Existe limite de pessoas por dia no Monte Fuji?
Na trilha Yoshida, o portão fecha quando o movimento passa de 4.000 pessoas no dia.
A fila de lanternas continua bonita na foto. A diferença é que, agora, cada ponto de luz pagou para estar ali e, se for de madrugada, dormiu numa cabana antes.
Fontes
- Things you must know before climbing Mt. Fuji, site oficial de escalada do Monte Fuji: taxa de ¥4.000, horário de restrição, registro, temporada, temperatura no cume, queda de temperatura com a altitude e o vento, desnível e equipamento obrigatório.
- the Official Website for Mt. Fuji Climbing, site oficial: o fim da temporada de 2026 e os riscos fora dela.
- Mt Fuji has increased ticket prices for the 2025 climbing season, Time Out Tokyo, 2025: a mudança de ¥2.000 para ¥4.000 e a cobrança nas trilhas de Shizuoka.
- Summary of Mt. Fuji climbing regulations and entrance fees, Kawaguchiko.net: as regras de 2024 na trilha Yoshida, a doação opcional, os números de 2023, o limite de 4.000 pessoas e a origem do número no plano pedido pelo Icomos.
- 2025年夏期の富士山登山者数について, Ministério do Meio Ambiente do Japão, 29 de setembro de 2025: cerca de 205 mil escaladores em 2025, contra 204 mil em 2024, e o método de contagem.
- 'It has been effective': Screen blocking Mount Fuji taken down, Euronews, 22 de agosto de 2024: a tela de Fujikawaguchiko, seu tamanho, os motivos e a retirada.
- The Mt Fuji barrier at Lawson in Kawaguchiko is back up again, Time Out Tokyo, 15 de agosto de 2025: a nova barreira de 1,4 metro.