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Ilhas Faroé: o arquipélago que fecha para manutenção

Todo ano, as Ilhas Faroé fecham pontos turísticos por um fim de semana e chamam voluntários para consertá-los. Veja como funciona e como participar.

7 min de leitura

Riacho correndo entre morros verdes em Saksun, nas Ilhas Faroé
Foto de Marc Zimmer no Unsplash

Em abril de 2019, as Ilhas Faroé anunciaram que iam fechar. Não o arquipélago inteiro, mas onze dos seus pontos turísticos mais visitados, durante um fim de semana. O aviso de "fechado para manutenção" veio com um convite: quem quisesse, podia vir de fora para ajudar a consertar trilhas, erguer placas e construir mirantes. O próprio primeiro-ministro da época, Aksel V. Johannesen, entrou na campanha convidando os voluntários.

A ideia deu tão certo que virou um evento anual. Desde 2019, a campanha "Closed for Maintenance", criada pelo órgão de turismo do arquipélago, recebeu mais de 44 mil inscrições, e só uma pequena parte dos candidatos consegue uma vaga.

Por que fechar

As Faroé são um arquipélago no Atlântico Norte, entre a Escócia e a Islândia, com paisagens de penhascos, cachoeiras e vilas pequenas. O número de visitantes cresceu, e alguns dos lugares mais fotografados começaram a sentir o peso. O órgão de turismo diz que o ambiente natural desses locais é frágil e passou a sentir a pressão do aumento de visitantes. A ideia era garantir acesso seguro à natureza e evitar a erosão causada pelo movimento de gente.

Em vez de simplesmente restringir a visita, a proposta foi transformar o turista em parte da solução. Os moradores e as prefeituras apontam os lugares que precisam de obras, e os voluntários fazem o trabalho junto com gente da região.

O que os voluntários fazem

Cada edição tem vários projetos espalhados pelas ilhas. Em Gjógv, em 2019, uma escada de madeira substituiu uma trilha erodida que levava a um mirante popular. Na ilha de Nólsoy, voluntários construíram uma ponte no caminho para o farol. Em Leirvík, em 2023, o trabalho foi em torno de ruínas vikings, para torná-las mais acessíveis. Em 2024, um dos projetos ajudou a recuperar paisagens degradadas, contendo a erosão do solo e restaurando áreas úmidas.

Até 2026, foram 72 projetos em 46 lugares diferentes, espalhados por 12 ilhas. Participaram 754 voluntários estrangeiros, de mais de 54 países e dos seis continentes, ao lado de 279 voluntários das próprias Faroé.

O órgão de turismo admite que o trabalho nunca vai terminar: a natureza muda o tempo todo, e toda estrutura precisa de manutenção contínua.

Para quem participa, a experiência é outra coisa além de uma viagem. Geraldine Boland, voluntária irlandesa em 2022, contou num depoimento publicado pelo órgão de turismo que queria fazer parte de um turismo regenerativo: não chegar só como consumidora, mas deixar alguma coisa para trás. Em 2023, a emissora pública das Faroé, a Kringvarp Føroyar, fez um documentário sobre o projeto.

Como conseguir uma vaga

A seleção é concorrida. De 44.625 inscritos até 2026, 754 estrangeiros participaram, menos de 2% do total. A cada ano, a organização escolhe entre 80 e 100 voluntários. Cerca de 70% das vagas são sorteadas, e o restante fica para jornalistas, fotógrafos e pessoas com habilidades específicas que ajudem nos projetos. A maioria dos candidatos vem dos países nórdicos, do resto da Europa e dos Estados Unidos.

Quem é escolhido paga só a passagem até as Faroé. Durante o período de manutenção, a organização cuida de hospedagem, comida e transporte.

A campanha também fez sucesso entre publicitários: ganhou 12 Leões de Ouro no festival de Cannes, entre outros prêmios internacionais.

A taxa de sustentabilidade, desde 2026

O voluntariado não foi a única resposta ao aumento do turismo. Em maio de 2024, o parlamento das Faroé aprovou uma lei de turismo sustentável. Ela define as condições para fazer trilhas no arquipélago, diz quando o turista precisa pagar para usá-las e criou uma taxa de hospedagem.

A taxa começou a valer em 1º de fevereiro de 2026. Quem tem 16 anos ou mais e se hospeda em acomodação paga desembolsa 20 coroas dinamarquesas por noite, com teto de 200 coroas por estadia. A regra vale também para barcos de lazer, a vela ou a motor. Cada hospedagem decide como cobrar do hóspede.

O dinheiro vai para um fundo administrado pelo governo e, segundo o governo das Faroé, é reservado para manter as trilhas, planejar o turismo e melhorar as condições para os visitantes.

Trilhas que cobram entrada

Muitas das trilhas mais famosas das Faroé passam por terras particulares, e os donos cobram pelo acesso. O órgão de turismo lista alguns valores, com o aviso de que a nova lei vai mudar as regras dessas taxas:

  • Farol de Kallur, na ilha de Kalsoy: 200 coroas por adulto e 100 coroas para jovens de 13 a 17 anos, sem guia. Menores de 13 não pagam. Aceita cartão no local.
  • Trælanípa, o famoso "lago sobre o oceano", em Vágar: 200 coroas por pessoa sem guia, ou 450 coroas por adulto com guia e folheto informativo. Há três saídas guiadas por dia, às 9h, 12h e 15h. A trilha leva cerca de 45 minutos em cada sentido e fica a cinco minutos de carro do único aeroporto do país.
  • Drangarnir, os dois rochedos no mar perto de Vágar: só com guia, por 600 coroas por pessoa, às quartas, sábados e domingos, de 1º de abril a 1º de outubro.
  • Villingardalsfjall, a partir da vila de Viðareiði: 200 coroas por pessoa, sem guia, depositadas numa caixa de correio junto ao portão da trilha. Para ir até o penhasco de Enniberg, é obrigatório contratar guia.

Na prática

  • Assine a newsletter do Visit Faroe Islands para saber quando as inscrições do "Closed for Maintenance" abrem.
  • Inscreva-se sabendo que é um sorteio. A maior parte das vagas não depende de currículo.
  • Se você tem uma habilidade útil, como carpintaria, fotografia ou trabalho com trilhas, diga isso na inscrição: há vagas reservadas para perfis específicos.
  • Some a taxa de sustentabilidade ao orçamento: 20 coroas por noite, até 200 por estadia, para maiores de 16 anos.
  • Confira as taxas das trilhas antes de ir. Com a nova lei, os valores podem mudar.
  • Siga as trilhas marcadas, que é exatamente o que a campanha tenta proteger.

Perguntas frequentes

O que é o "Closed for Maintenance" das Ilhas Faroé?

É uma campanha anual, criada em 2019, em que alguns pontos turísticos fecham por um fim de semana para receber obras feitas por voluntários estrangeiros e moradores.

Como ser voluntário nas Ilhas Faroé?

As inscrições são abertas pelo Visit Faroe Islands. Cerca de 70% das vagas são sorteadas, e o restante vai para perfis específicos. Quem é escolhido paga só a passagem.

Tem taxa turística nas Ilhas Faroé?

Sim. Desde 1º de fevereiro de 2026, maiores de 16 anos em hospedagem paga pagam 20 coroas dinamarquesas por noite, com teto de 200 coroas.

Precisa pagar para fazer trilha nas Ilhas Faroé?

Em algumas, sim. Trilhas famosas em terras particulares, como a do farol de Kallur e a de Trælanípa, cobram entre 200 e 600 coroas, dependendo do lugar e de haver guia.

A estratégia das Faroé é diferente da de Veneza, que cobra de quem vai passar o dia para diminuir a multidão. Uma cobra na porta de entrada; a outra também cobra, mas convida o turista a pegar uma pá.

Fontes