Lugares que limitam turistas: cotas, horários e proibições
Kyoto fechou ruelas, Machu Picchu tem cota diária e Maya Bay fecha dois meses por ano. Veja as regras e como planejar sem ficar de fora.
Cada vez mais lugares turísticos limitam o número de visitantes, e não com pedidos educados. Machu Picchu vende uma quantidade fixa de ingressos por dia. Um bairro de Kyoto proibiu turistas em ruelas particulares, com multa. Uma praia da Tailândia fechou por mais de três anos e hoje fecha dois meses todo ano. Quem chega sem saber disso pode dar com a porta fechada.
As medidas mudam de um lugar para outro, mas seguem uma lógica parecida: quando o número de visitantes passa do que o lugar aguenta, a saída é cobrar, marcar horário ou fechar. Abaixo estão quatro casos, com as regras vigentes em setembro de 2026, e o que fazer para não perder a viagem.
Machu Picchu: cota diária de visitantes
Machu Picchu, no Peru, tem limite diário de visitantes definido pelo Ministério da Cultura. Para 2026, o teto é de 5.600 pessoas por dia na alta temporada e nos feriados: 1º de janeiro, de 2 a 5 de abril, de 19 de junho a 2 de novembro e de 30 a 31 de dezembro. No resto do ano, o limite é de 4.500.
A venda oficial é feita só pelo site do ministério, tuboleto.cultura.pe. Com o número de entradas fixo, quem deixa para comprar em cima da hora na alta temporada corre o risco de não achar vaga.
Maya Bay: a praia que precisou fechar
Maya Bay, nas ilhas Phi Phi, na Tailândia, ficou famosa no filme “A Praia”, de 2000, com Leonardo DiCaprio. A fama cobrou o preço. Segundo a revista Time, antes do fechamento chegavam até 4.000 visitantes por dia, e os barcos e as âncoras destruíram boa parte dos corais. Um cientista marinho tailandês estimou que só 8% dos corais estavam vivos quando a praia fechou, em junho de 2018.
A baía ficou fechada por mais de três anos e reabriu em janeiro de 2022 com regras novas: limite de 380 visitantes por hora, proibição de nadar e barcos proibidos de entrar na baía. O desembarque é feito num píer do outro lado da ilha, de onde se caminha até a praia. Desde então, Maya Bay também fecha todo ano de 1º de agosto a 30 de setembro, na época das chuvas, para os corais se recuperarem.
Gion, em Kyoto: ruelas proibidas para turistas
Em Gion, o bairro das gueixas de Kyoto, o problema não era o número em si, e sim o comportamento. Moradores e comerciantes reclamavam de turistas que perseguiam gueixas e aprendizes com o celular para fotografar e entravam em ruas particulares. Em 2019, vieram as primeiras proibições de fotos em ruas privadas, com multa de ¥10.000.
Como a proibição de fotos não resolveu, desde abril de 2024 os turistas não podem entrar nas ruelas particulares do bairro. Placas em inglês, japonês e chinês avisam da multa de ¥10.000. As ruas públicas do bairro continuam abertas.
Cinque Terre: a trilha com reserva por horário
Na Itália, a Via dell’Amore, trilha à beira-mar entre Riomaggiore e Manarola, nas Cinque Terre, ficou fechada por mais de uma década depois de um deslizamento em 2012. Quando reabriu, em 9 de agosto de 2024, voltou com regras: reserva obrigatória com horário marcado, limite de 400 pessoas por hora e percurso em sentido único, de Riomaggiore para Manarola, na alta temporada.
O acesso custa 10 euros, somados ao Cinque Terre Card, o passe das trilhas do parque. Segundo a revista AFAR, o visitante tem 30 minutos para percorrer o trecho.
O que esses casos têm em comum
Na minha leitura, os quatro mostram uma mudança de mentalidade. Por muito tempo, destinos famosos competiram para atrair mais gente. Agora, alguns estão escolhendo receber menos, ou receber de outro jeito. Não é um caso isolado: Veneza testou uma taxa de acesso, o Japão passou a cobrar para subir o Monte Fuji e as Ilhas Faroé chegaram a fechar para manutenção.
Para o viajante, isso muda a ordem do planejamento. Antes, era comprar a passagem e decidir o resto lá. Nesses lugares, o ingresso ou a reserva vem primeiro.
Na prática
- Garanta o ingresso de Machu Picchu cedo. Com cota diária, a alta temporada é a época de maior risco de ficar sem vaga.
- Use só o site oficial. Para Machu Picchu, é tuboleto.cultura.pe.
- Não programe Maya Bay para agosto ou setembro. A baía fica fechada nesses meses.
- Em Gion, fique nas ruas públicas. Respeite as placas e não fotografe gueixas sem permissão.
- Reserve o horário da Via dell’Amore com o Cinque Terre Card. A trilha não aceita quem chega sem reserva.
- Confira as regras perto da data. Limites e datas são revistos com frequência.
Perguntas frequentes
Quantas pessoas podem visitar Machu Picchu por dia?
Em 2026, até 5.600 por dia na alta temporada e nos feriados, e 4.500 no resto do ano, segundo o Ministério da Cultura do Peru.
Maya Bay está aberta?
Maya Bay abre de outubro a julho e fecha de 1º de agosto a 30 de setembro. Mesmo aberta, é proibido nadar.
Por que Gion proibiu turistas?
Por causa de visitantes que invadiam ruas particulares e perseguiam gueixas para fotografar. A proibição vale para as ruelas privadas desde abril de 2024, com multa de ¥10.000.
Precisa reservar a Via dell’Amore?
Sim. A entrada é com hora marcada, limitada a 400 pessoas por hora, e custa 10 euros além do Cinque Terre Card.
Fontes
- Machu Picchu: Ministerio de Cultura fija aforo máximo de 5600 visitantes diarios para 2026, El Peruano, diário oficial do Peru, 2 de novembro de 2025: os limites de 2026, as datas e o site de venda.
- Revenge Travel May Be a Big Problem for Thailand’s Maya Bay, Time, 2022: o fechamento de 2018, os visitantes por dia, os corais, a reabertura e as regras novas.
- Maya Bay reopens after seasonal slumber, Time Out Bangkok, 2025: o fechamento anual de 1º de agosto a 30 de setembro.
- Kyoto to limit tourist access in the historical Gion geisha district, Time Out Tokyo, 2024: a proibição de 2024, a multa e a proibição de fotos de 2019.
- Kyoto bans tourists from geisha alleys in Gion, SoraNews24, 2024: as placas multilíngues e as ruas afetadas.
- Cinque Terre’s Most Beloved Hiking Path Fully Reopens After More Than a Decade, AFAR, 2024: a reabertura, o deslizamento de 2012, a reserva, o limite por hora, o sentido único e o preço.