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Por que se fica à direita na escada rolante em Londres

No metrô de Londres, quem para fica à direita. Veja de onde vem a regra, o teste que tentou mudá-la e o lado certo em outras cidades.

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Escadas rolantes lotadas na estação Piccadilly Circus do metrô de Londres
Foto de Damian Kamp no Unsplash

No metrô de Londres, quem fica parado na escada rolante fica à direita, e quem quer andar sobe ou desce pela esquerda. A regra aparece em placas e em avisos sonoros, e na hora do rush quem para do lado errado logo ouve um “excuse me” de quem vem atrás. É curioso num país onde os carros andam pela esquerda.

A origem é mecânica, não cultural. As primeiras escadas rolantes do metrô, instaladas em 1911, tinham um desenho que obrigava o passageiro a sair pela esquerda no fim do percurso. Ficar à direita deixava o caminho livre para quem vinha andando. As máquinas mudaram, mas o costume ficou.

Uma escada que empurrava para o lado

As primeiras escadas rolantes do metrô londrino começaram a funcionar em 4 de outubro de 1911, na estação Earl’s Court, fornecidas pela Otis. O modelo não tinha o pente que existe hoje no fim dos degraus. No lugar dele havia uma divisória em diagonal, uma espécie de cunha, que empurrava os passageiros para o lado enquanto os degraus desapareciam por baixo.

Segundo a explicação mais aceita, o lado da saída era o esquerdo. Quem estava parado à direita tinha tempo de se ajeitar, e quem subia andando pela esquerda saía direto, sem cortar a fila de quem estava parado. A estranheza da máquina, aliás, assustou muita gente: na primeira semana, segundo os relatos da época, houve vestidos rasgados, um dedo prensado e um passageiro que caiu das muletas.

As escadas mais longas do metrô

A regra pesa mais nas estações profundas, onde a escada é longa e subir andando economiza tempo de verdade. A campeã é a estação Angel, na linha Northern. Reconstruída entre 1989 e 1992 para acabar com a superlotação, ela ganhou escadas de cerca de 60 metros de comprimento, com uns 27 metros de desnível, as mais longas do metrô de Londres e do Reino Unido. Angel também é uma das 14 estações da rede em que a escada rolante é o único jeito de chegar às plataformas.

Antes dela, o recorde era de Leicester Square. As escadas que descem para a linha Piccadilly, inauguradas em 1935, tinham 54 metros e eram, na época, as mais longas do mundo.

O teste de Holborn

Em 2015, o metrô de Londres resolveu testar se a regra fazia sentido. A estação Holborn tem escadas rolantes das mais altas da rede. A hipótese era que, numa escada tão longa, pouca gente sobe andando, e o lado esquerdo fica meio vazio enquanto a fila da direita cresce na base.

Por três semanas, no fim de 2015, funcionários com megafone pediram que todos ficassem parados, dos dois lados. Numa das escadas, a capacidade aumentou cerca de 30%. Um segundo teste, em 2016, durou seis meses. Os dados obtidos depois pelo site Gizmodo, via pedido de acesso à informação, mostraram 151 passageiros por minuto nas escadas “só para ficar parado”, contra 115 na escada com a regra antiga.

Então por que a regra não mudou? Por dois motivos. O primeiro é que o ganho depende da altura: um estudo na estação Canary Wharf, de escadas mais curtas, concluiu que obrigar todo mundo a ficar parado reduziria a capacidade em 10%, porque mais gente prefere subir andando. O segundo é que o comportamento voltou ao normal assim que os funcionários saíram. Manter uma pessoa em cada escada o dia inteiro não era viável, e nenhuma política permanente foi adotada.

Cada cidade com o seu lado

Londres espalhou o costume, mas não há um padrão mundial. Hong Kong e Osaka, no Japão, seguem o modelo londrino: parado à direita. Em Tóquio e na maior parte do Japão, assim como em Singapura e na Austrália, é o contrário: parado à esquerda, andando pela direita.

No Japão, aliás, a tendência é acabar com o lado de andar. A província de Saitama criou em 2021 uma norma pedindo que as pessoas fiquem paradas nas escadas rolantes, e Nagoya fez o mesmo em 2023. Nenhuma das duas prevê multa: funcionam por campanha e aviso.

Na prática

  • Em Londres, fique à direita. Mesmo que a escada pareça vazia, o hábito é tão forte que alguém vai aparecer subindo.
  • Não pare no topo nem na base. Sair da escada e ficar parado olhando o mapa bloqueia quem vem atrás.
  • Segure a mala do seu lado. Mala no degrau ao lado ocupa o espaço de quem anda.
  • No Japão, observe antes. Em Tóquio fica-se à esquerda; em Osaka, à direita; em Nagoya e Saitama, a orientação é ficar parado.
  • Segure o corrimão. É o que as campanhas de segurança pedem, de qualquer lado.

A regra de Londres é um bom exemplo de costume que sobrevive à razão que o criou. A máquina de 1911 já não existe há muito tempo, e mesmo assim, todos os dias, multidões se espremem à direita por causa dela.

Perguntas frequentes

De que lado se fica na escada rolante em Londres?

À direita. O lado esquerdo fica livre para quem quer subir ou descer andando.

Por que em Londres se fica à direita?

Porque as primeiras escadas rolantes do metrô, de 1911, obrigavam o passageiro a sair pela esquerda. Ficar à direita evitava que quem vinha andando cortasse a fila de quem estava parado.

Ficar parado dos dois lados é mais rápido?

Em escadas muito altas e lotadas, sim: o teste de Holborn mostrou mais passageiros por minuto. Em escadas curtas, o efeito se inverte, e a capacidade cai.

De que lado se fica no Japão?

Depende da cidade. Em Tóquio, à esquerda; em Osaka, à direita. Saitama e Nagoya pedem que todos fiquem parados.

Qual é a escada rolante mais longa do metrô de Londres?

A da estação Angel, na linha Northern, com cerca de 60 metros de comprimento. Ela é também a mais longa do Reino Unido.

Fontes